uma tarde no bar

Uma tarde qualquer; estamos no bar. O garçom chega e nos pergunta o que vamos querer, prontamente respondo: – Uma Heineken e três copos! E aí que percebo os olhares hostis para cima da minha pessoa, como se eu tivesse cometido alguma atrocidade tal como chutar um gato.

Mas não. Era tudo culpa da cerveja, afinal estamos em São Paulo, Brasil, onde os nativos costumam apreciar as loiras da região – a Brahma ou a Skol.

Após a investida visual, sou criticado por preferir a outra só por causa da embalagem verde, que é culpa do marketing e aquele papo comunista non-sense, já que ao beber as outras estarão cedendo parte de seu capital pessoal para a AmBev, o que no final, dá praticamente na mesma.

Passam-se mais alguns minutos de discussão e chego a ser chamado de neoliberal safado, e de especulador imundo.

Não posso gostar de nada diferente que já sou discriminado como ‘ovelha de propaganda’ ou indie. E se tenho gosto homogêneo, sou igualmente taxado mas ao invés de indie, sou modinha.

Porra, tudo o que eu queria é beber minha cerveja em paz.

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