O Tempo que Resta (Le Temps qui Reste, 2005) – François Ozon

Iniciei meu conhecimento de François Ozon através de Swimming Pool, filme bastante diferente e sombrio. Portanto, minha expectativa sobre este outro longa era algo bem lynchiano, e para minha surpresa ela não foi atendida, foi algo bem mais simples do que eu imaginava, mas nem de longe isso foi ruim.

‘O Tempo que Resta’ conta a história de Romain, um fotógrafo homossexual, que aos 31 anos descobre que está com câncer e, portanto, seus dias estão contados, algo por volta de 5 meses. Mesmo com a recomendação de seu médico para que ele tentasse a quimioterapia, ele opta por seguir em frente sem nenhuma espécie de tratamento, uma vez que as chances de sobrevivência seriam inferiores a de 5%.

A partir desse momento Romain deixa toda a sua vida para trás, seus pais, sua irmã, seu emprego, seu namorado, pois não consegue lidar com a situação. Porém, durante todos os seus momentos ele dispõe de sua câmera fotográfica, e registra todos aqueles que algum dia pertenceram à sua vida.

Ozon vai em contramão entre os muitos filmes em que, uma vez descoberta uma doença terminal, o protagonista sai em busca do prazer instantâneo e das coisas que nunca teve tempo ou chance de fazer. E nos faz parar para pensar como nossas vidas são curtas, ou que podem acabar a qualquer momento, fato enfatizado pelo personagem ter apenas 31 anos e ironicamente também, pela duração do filme, que possui apenas 85 minutos.

Durante uma de suas últimas caminhadas pela cidade, Romain acaba se lembrando se sua infância e de como ele conhecera seu namorado há anos atrás numa traquinagem típica de jovens moleques, em uma cena que mescla suas memórias com o tempo real, e nos traz de volta à inocência do início de nossas vidas, do tempo em que, para nós, não havia a moral, o que nos dissesse o que é certo ou o que é errado, onde tudo era apenas como podiam ser. E neste momento, tornei a pensar na ditadura do politicamente correto em que nós vivemos atualmente então subitamente me senti mal, como se tudo ao meu redor fosse artificial e tudo tivesse se perdido da sua real natureza.

Fiquei sentado em meu sofá me perguntando quanto tempo será que ainda me resta, e se estaria eu sendo eu mesmo.

Tags:

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: