O Lutador (The Wrestler, 2008), Darren Aronosfky – Com Spoilers

Dentre os diretores que surgiram nos tempos mais recentes, com certeza o meu favorito é Darren Aronofsky. Infelizmente seu talento ainda é desfocado pela mídia, que prefere dar atenção a Quentin Taratino ou Eli Roth (!), mas estou certo de que haverá uma hora em que seu talento virá a ser reconhecido, principalmente porque, na minha humilde opinião, ele ainda não errou em nenhuma de suas obras.

Pouquíssimos conseguem estrear com um longa tão forte e marcante como PI (1998), que mesmo sem recursos consegue prender sua atenção do início ao fim durante uma trama muito bem trabalhada e dirigida. Seguido por Réquiem para um Sonho, seu filme de maior sucesso, mas que se tornou uma espécie de ‘Laranja Mecânica’ ou ‘Amélie Poulain’, que qualquer cidadão que goste sai pelas ruas vestindo trajes e acessórios relacionados ao filme e acreditam entenderem tudo sobre cinema, mas nem ao menos sabe quem é o diretor. Por fim, foi lançado ‘A Fonte da Vida’ (2006), considerado por mim, sua melhor obra e uma das mais belas que já vi.

Agora neste ano de 2009, ‘O Lutador’ chega aos cinemas brasileiros, e eu como um bom fã, fui conferi-lo no HSBC Belas Artes.

O filme conta a história de Randy ‘The Ram’ Robinson, um lutador profissional de luta – livre que observa seu auge ir embora e assim torna a viver uma vida ordinária e apesar de parecer uma história bem manjada e clichê no começo, e poder até terminar assim, a maneira como Darren nos conta sua trajetória é muito mais agradável e comovente do que a maioria e até me fez lembrar de caras como Jack Kerouac ou Bukowski, que tratam de destruir o sonho americano em seus livros.

Então, quando vê que é hora de parar com as lutas devido à sua idade e seus exageros, Randy resolve iniciar uma vida comum e trata de ir atrás de sua filha, quem ele ignorou por anos. E é ao longo dessa aventura que ele percebe que já não consegue mais se portar dentro da sociedade, que a vida é dura para aqueles que já não são alguém no mundo; hoje tudo se torna obsoleto rapidamente, mp3 players, PCs, games, celulares, e também pessoas. Inclusive há uma cena em que isso se torna evidente, quando Randy convida um menino de aproxidamente 8 anos para jogar seu velho videogame, um Super Nintendo, e o garoto fica impaciente e pergunta se ele já tinha ouvido falar em Call of Duty 4 (jogo de guerra moderna para os aparelhos mais recentes).

O filme critica duramente o modo de vida que nós, do mundo ocidental, levamos sob a influência do imperialismo americano. Em cenas como sua última luta em que logo ao atravessar o corredor que dá para o ringue, desce uma bandeira dos EUA ao fundo e Randy faz um breve discurso, que nele diz: “Quando você vive uma vida desregrada, uma hora irá pagar o preço. Pode-se perder tudo aquilo que ama, e tudo aquilo que ama você. Hoje eu já não escuto como antes, e nem sou mais tão bonito…” E então se torna clara a crítica ao modo consumista de vida que levamos, e que só no final de nossas vidas percebemos que nenhum de nossos abusos e exageros valeram a pena.

Chegando ao fim, nota-se que pela primeira vez na carreira de Darren, não é possível perceber muitas marcas autorais, como os famosos travellings de câmera no rosto dos personagens, ou a forma dos personagens tomarem pílulas/medicações, o que deixou um pouco desapontado. Pelo menos a fotografia continua marcante e bela, como sempre.

Apenas temo pelo futuro da carreira do diretor, que perdeu bastantes características fortes e que tem pela frente o remake de RoboCop e outro filme envolvendo lutadores e até tem um título parecido com este, ‘The Fighter’.

Nota 4/5

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