Times Square.
Compras. Descontos. Liquidações. Queimas de estoque. Parcelamentos. Marcas. Grifes.
Fuck that shit.
Resolvo ir para os fundos do Brooklyn, mais precisamente para Coney Island.
Não há nada, e quase ninguém. Consigo escutar as gaivotas voando, o barulho da lona batendo nas grades de metal, e os alto-falantes tocando música latina, por entre barracas de tiro ao alvo, pescaria, e outros, todas fechadas. Cenário perfeito para qualquer filme de George A. Romero¹.
Mas não. Há apenas criaturas vivas, seguindo suas vidas.
Peões sem futuro, mendigos, viciados, mafiosos. Comércio fechado. Um parque de diversões deserto.
Sento próximo à beirada da praia. E nem a natureza vive. Me encosto em um coqueiro falso, feito de plástico e papel machê, ou algo parecido. Acendo um cigarro, e a fumaça que sai pelo ar é a única coisa que se move, além do mar.
Passam-se cerca de dez minutos até eu perceber que há salva-vidas por toda a extensão da praia. De cem em cem metros.
Eles estão como eu, observando o horizonte vazio. Não há quem socorrer, nem observar. Nem mesmo o sol deu as caras hoje.
Enfim, começa a garoar.
E então, levanto-me com saudade da minha terra.
—
¹George A. Romero é o mais lendário e aclamado realizador de filmes de zumbis (considerados um gênero próprio pelos fãs nos EUA), com títulos como “A Noite dos Mortos Vivos“, “Despertar dos Mortos” e “Dia dos Mortos” no seu currículo de escritor/realizador.

agosto 2, 2010 às 3:24 pm |
Vc conseguiu decompor a foto em palavras, só que com mais detalhes.
Isso me lembrou discussões, sobre conspirações, feitas em Ubatuba com vista para tartarugas marinhas.
Genial.