one night with travis bickle

Já é madrugada em São Paulo. Estou de saco cheio e preciso sair de casa, abstinência de cerveja.

Dirijo-me a um bar onde vai rolar um bom jazz. Acontece que ao contrário de como é nos EUA, esses clubes de jazz paulistas são para a burguesia, e não para os fodidos. Então, me vejo obrigado a beber umas cervejas enquanto luto para não pedir algo para comer. Aqueles preços me ofendiam.

Quando a banda dá uma pausa, eu aproveito para conversar com seu baterista. Pergunto o que eles ainda têm para tocar, e vejo que nem ele sabe. O set-list apenas flui, tocam o que der na telha e que se foda. Quem traz a inspiração é a própria noite.

Passo mais algumas horas discutindo com um camarada sobre como o mundo estagnou de certa maneira a partir dos anos 2000. Somos uma geração de remakes, de releituras, de reciclagem. Nada de novo surge mais. Lady GaGa? Madonna. Tarantino? Russ Meyer. Stephen King? H.P Lovecraft.

Foda-se os avanços do entretenimento. Cinema 3-D, videogames hiperrealistas, iPhone, essas porras de nada me interessam. Só me dão medo.

Enfim, papo de boteco.

Saímos do bar e parece que houve um acidente de carro bem em frente à entrada do lugar. As viaturas de polícia já cercam o lugar e os tiras conversam com as vítimas, ou quem sabe, culpados.

A madrugada paulistana é para os fodidos. Bêbados, putas, cafetões, junkies, loucos. Ela abriga todo o tipo deles. São apenas sombras no escuro, que somem durante o dia.

E o que eu ainda não sei é se sou um deles.

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Uma resposta to “one night with travis bickle”

  1. Herbert Baratella Says:

    É… Coincidente mente eu tenho pensado nessas questões há alguns anos já. Principalmente no que vc diz sobre estagnarmos nos anos 2000. Às vezes fico pensando se estagnamos ou se ficamos mais velhos numa época onde a informação é absurdamente enorme (para poucos, dentre eles nós) e, automaticamente, os parâmetros de comparação se tornam amplos demais. Acredito que deste ponto de vista, de fato, estagnamos. Mas para algumas pessoas, como os mais velhos (a mama da Mooca, por exemplo) estamos com coisas novíssimas a cada dia. Para outros, ainda, existe o total desconhecimento do que há de novo, já que estão condenados a apenas trabalhar para manter o sustento da própria família, sem poder se dar ao luxo de questionar a vida e o que ela tem apresentado.

    Enfim, é triste isto. Apesar de tudo, acredito que estamos no limite, no ápice, no máximo, na expansão completa, e agora, a tendência é tudo morrer ou regredir, ou resgatar o que já foi, ou se acomodar… Aliás, em relação ao resgate do que já foi, é uma coisa que já está nítida para gente. O flash back agora é tendência, é moda, é cauda longa.

    É… Muito bom post, rapazista.

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